Desencontros

Por Dilvo Rodrigues

“Vai dizer que, nesse frio, você prefere andar com as mãos dentro do bolso a ter alguém para segurar e esquentar pelo menos uma delas?”, poetizou Alberto. “Olha! Existem lãs mais aconchegantes que as mãos de muita gente.”, ironizou Celine.

Era uma dessas conversas de prós e contras a respeito de relacionamentos e namoros. Alberto tem uma leve paixão por Celine. E ela leva mais a sério sua carreira de dançarina contemporânea, muito mais a sério que uma caixa de chocolates. Eu sou amigo deles e acredito que eles não tem muito em comum.

Eu sempre fico pensando,no caso deles,como seria um convite para sair. A Celine iria pensar em uma cafeteria,alguma coisa quase cult. O Alberto iria pensar em um botequim mais ou menos bem decorado,mas barato. Quase um cult pobre. Para agradar a gregos e troianos, seriam então momentos de café e tortas doces e, depois, momentos de cerveja e tira gosto. Bem, nós sabemos que,inevitavelmente, essa combinação iria acabar levando gregos e troianos ao trono. Mas, já seria um ponto em comum. E, para falar a verdade, o amor sempre nasce desses momentos, digamos,engraçados. Quem sabe!?

Outro dia, fomos ver Celine dançar uma peça chamada “Desencontros”. E o que me intrigou aquele dia foi como Celine conseguia ser tão poética e emotiva nos movimentos, na interpretação. E meu amigo se portava como um intelectual, explicava a origens e os nomes dos movimentos da amada. Eu fiquei me sentindo um expectador daquele filme famoso do Daniel Filho, “Se eu Fosse Você”. Celine sempre foi “A” esclarecida do nosso trio. E Alberto sempre foi o cara do feeling, do conhecimento aprendido na experiência. Naquele noite, eles  estiveram por alguns minutos se colocando no lugar do outro, sem saber.

No final, fomos ao camarim vê-la. Eu aguardava pelo fim da apresentação ansiosamente. Me perguntava qual personagem cada um iria colocar em prática ou o que. E a coisa seguiu assim: “Você estava estonteante, Celine.Você parecia flutuar!”, ele disse. “Ah, eu errei o movimento, deveria ter arqueado mais o braço.”, disse ela.  Eles me olharam. “Um café para você, Celine. Alberto, larger ou pilsen!?”

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