Por Dilvo Rodrigues
Eu já vi um velho retirar um cisco do olho com a ponta de uma agulha. Passei minutos vendo uma lesma se arrastando na lâmina de uma navalha, e fiquei admirado quando um raio caiu na cabeça de um treinador de futebol e ele sobreviveu. Eu já me perguntei por que os gatos sobem em árvores e os cães enfrentam os cavalos na rua.
Fiquei sabendo de histórias de casais com anos de relacionamento que se aventuraram numa noitada no swing. Tenho um amigo que deixou uma carreira profissional promissora para viver um grande amor. Os alcoólatras trocam qualquer grande amor por uma dose da “marvada”. Tenho uma linda vizinha que mochilou por 8 meses pedindo carona para desconhecidos. Isso, depois de ter perdido o marido em um assalto.
Durante quase três décadas, vi meu pai apostar boas quantias na Mega-Sena. Sempre vejo pessoas atravessando fora da faixa de pedestres e ciclistas na Avenida Paulista.Quase o Silvio Santos foi presidente! O Lula foi que foi que foi que foi e foi! Nos jornais,tantas histórias inimagináveis de pessoas que sobreviveram a tragédias mortais. Na história, um homem se proclamou “A Salvação”,foi perseguido, violentado,massacrado em público e morto por isso.
O Risco que se corre pode ser escolhido a dedo. Mas,pode ser vivido inconscientemente. O risco que se corre é diário e inevitável,para qualquer ser vivo. Ele é consequência de uma escolha e isso é o que fazemos a todo momento.Só quem está morto não toma suas decisões,escolhas. O Escritor Paulo Coelho diz que o mundo está nas mãos de quem tem coragem de correr riscos para viver seus sonhos. Mas, acredito se tratar de uma questão mais transcendental, entendo mesmo que “Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver; A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena.”(Clarice Lispector)