por Dilvo Rodrigues
Se no final de Man On Wire (O Equilibrista) você não ficar perplexo, eu não sei mais o que é capaz de te sensibilizar. A história é a seguinte: Philippe Petit é um equilibrista francês que fez uma travessia num cabo de aço preso no topo das duas torres do World Trade Center, a pouco mais de 400 metros do chão, em agosto de 1974. Dois pontos importantes: A distância em linha reta que separava uma torre da outra é de 43 metros. Philippe Petit realizou a travessia oito vezes, ficou em cima do cabo por 45 minutos. Último dado importante: Ele fez isso sem cabo de segurança, apenas carregando uma vara de contrapeso de 8 metros de comprimento. Sim, ele teve o mesmo destino do George Willig, quando escalou a torre sul em 1977; foi preso!
Não sei se podemos chamar Man on Wire de documentário. Não sei se é ficção. O filme apresenta elementos das dos dois gêneros. A Narrativa é contada através de fotos e vídeos tiradas na época, de ações encenadas e entrevistas com os cúmplices de Petit na aventura. A verdade é que o filme agradou aos jurados do BAFTA 2008, que elegeram Man on Wire como o melhor documentário daquele ano. Ele também venceu o Oscar 2009, na categoria “Melhor Documentário”. Isso para citar os prêmios mais importantes. O Filme é baseado no livro To Reach The Clouds (2002), do próprio equilibrista e dirigido por James Marsh. O Livro acabou sendo relançado mais tarde com o título Man on Wire.
Esse é um tipo de filme que pode até não te ganhar, pelo que é em si. Porém, a aventura na qual o francês coloca sua energia é chocante, poética e profunda. Ou seja, é provável que alguém ou você diga que é uma história sensacional, ao invés de dizer se tratar de um filme excepcional. Essa pode ser, possivelmente, minha contribuição ao exagero, assim como Petit pode ser visto como um sonhador exagerado. “Comecei como um jovem equilibrista autodidata, cujo o sonho não era conquistar o universo. Mas, como um poeta, conquistar belos palcos.” A preparação é meticulosa, são seis anos estudando as torres, várias viagens entre Paris e Nova York e discussões acaloradas sobre como entrar no prédio sem chamar atenção, como chegar ao topo, como não ser preso antes de cumprir o objetivo e de que maneira estender o cabo entre as torres.
Depois do feito, o equilibrista foi preso. Porém, teve sua pena aliviada, isso foi devido a repercussão na mídia mundial e junto a população de Nova York. Ele foi sentenciado a se apresentar para crianças no Central Park. Os membros franceses da equipe foram deportados dos EUA. Um dos oficiais que prenderam Philippe deu um depoimento visivelmente chocado, dizendo; “Pessoalmente, me dei conta de que estava assistindo a algo que mais ninguém, em todo mundo, teve a oportunidade de ver. Era só uma vez na vida!” E tudo isso sem um porque racional. Na verdade, porque era e foi apenas um sonho.
“Para mim, é muito simples viver no limite. Deve se exercitar a rebeldia, recusar a seguir as regras tal como são, recusar o próprio sucesso, recusar ficar se repetindo. Viver cada dia, cada ano, cada ideia como se fosse um verdadeiro desafio. E só assim, podemos viver na corda bamba.”