por Dilvo Rodrigues
– Verônica quer casar.
Disse-me outro dia a própria, se referindo em terceira pessoa.
– Verônica quer casar vestida de branco. Entrar na Igreja repleta de flores, acompanhada pelo pai orgulhoso e comemorada em lágrimas por amigos. Verônica quer encontrar o noivo no meio do caminho até o altar, significando que agora a trajetória é com ele. Subir no altar segurando a mão do futuro marido e olhar nos olhos de um padre sorridente. E quando do momento das alianças, Verônica quer pronunciar as palavras com uma voz de leveza, quer ouvir a voz de veludo do Antônio em declarações de amor, fidelidade e companheirismo eterno.
“Agora o noivo pode beijar a noiva!, Diria o padre” – dizia-me Verônica, às 15h53, quarta-feira, Hospital Erasto Gaertner, Curitiba, estado do Paraná, ao mesmo tempo em que subia lentamente as escadas divinas, para se juntar em um altar com Deus.
Nem sinal do Antônio.
Tão curtinha e tão boa esta sua crônica Dilvo, gostei demais.
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Pois é, eu tava atrás de escrever uma crônica mais curta. Fiquei com inveja do Rubem Braga, de uma crônica dele que chama “Rita”. Nessa crônica ele fala de um sonho com a filha que nunca teve.
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