Ontem à noite dei uma festa aqui em casa. A festa estava acontecendo no terraço, onde ficam alguns materiais de construção, cimento, tijolo etc. Daí, alguns amigos me perguntaram se poderiam convidar outros amigos. Eu disse que tudo bem, ok! Meia hora depois o povo chega. Pessoal bonito até!
– E aí, tudo bem?
– Tudo massa!
– Tudo bacana!
– Fiquem a vontade. O terraço é de vocês!
Os novos convidados foram lá para o lado dos materiais de construção. Dois casais. Achei normal, no começo. Vai ver estavam sem graça com a turma. Depois de uns goles passava. Normal!E foi passando meia hora, quarenta minutos, uma hora! Nada do povo sair de lá!
Chamei o Junior.
– Porra cara, que pessoal é esse aí que chega e não interage com ninguém e fica lá, escondido atrás dos tijolos? Esse povo tá fazendo sexo no meu terraço? Porra, se estiverem eu vou jogar água quente neles. Avisa que tá pegando muito mal.
O Junior foi lá. E eles vieram para festa. Conversaram um pouco, dançaram. As mulheres eram bem gatas. Que corpo! Que boca! Que coxas! Nossa! Infelizmente, precisei ir buscar gelo. Desci as escadas e fui aqui do lado, comprei no Zé!
– Ta bom lá, hein!?
– ÔÔÔÔ! Se tá!
Eu subo no terraço e cadê elas? Os quatro lá no mesmo canto de novo.
-Porra Junior!? Qual é, véi? De novo!
Alguns minutos depois, as duas moças pedem para ir ao banheiro, que fica na parte debaixo da casa. Beleza! Podem ir. As calças das meninas estavam sujas de areia, brita, cimento. Fiquei puto! Mas fiz cara de quem não estava entendendo nada. Ou melhor, não estava vendo nada. E, quando a descarga tocou lá, os dois sujeitos chegam querendo se despedir de mim.
-Poxa cara, mas já? Nem beberam, nem comeram, não conversaram com ninguém.
Notei um volume esquisito na camisa do outro sujeito.
– Obrigado pela recepção. Foi bacana demais, deu boa!
“Deu boa? Esse mané tá de zoação comigo.”, pensei.
Na parte de trás do bolso do cara também tinha um volume esquisito e notei também que as bolsas das meninas estavam mais cheias do que na chegada. Eu sou curioso pra caramba e tava achando que os namoradinhos vieram se amassar de graça no meu terraço e ainda levar vantagem no lucro de um furto qualquer. Saí correndo lá trás, na tentativa de notar a falta de alguma ferramenta de construção. Tava tudo em dia. O Engraçado é que eles empilharam quatro tijolos em um canto. A escavadeira tava em outro. Duas latinhas cheias de areia perto da sacada e outras duas latas cheias de brita num quarto canto.
– Que porra é essa!? Eles tão se achando muito esperto!
Corri o terraço na maior velocidade, desci as escadas quase rolando abaixo e encontrei os quatro no portão.
– Que porra é aquela lá em cima?, eu gritava com as moças.
– Abre essa porra dessa bolsa se não o bicho vai pegar aqui.
As duas me tiraram um punhado de cimento e areia das bolsas. Fiquei sem entender nada! Ah, mas eu fiquei mais nervoso ainda também. Peguei a guria pelo braço e arrastei ela até em cima de novo.
– Me explica que porra é essa aqui que vocês fizeram no meu terraço.
– Circuito!
– Que?
– Circuito!
Antes que eu perdesse a cabeça totalmente e fizesse uma besteira, o rapaz tirou um tijolo de dentro da camisa e jogou no chão.
– Já entendi. Vocês estão querendo construir o barracão de vocês, daí ficam furtando migalha na construção dos outros. Conhece Minha Casa, Minha Vida, não!? Porra.
Eu acho que última vez que fique nervoso desse jeito foi quando caí de bicicleta e atropelei um menino. Saí correndo atrás dele pra ver se estava tudo bem. Ele saiu correndo de mim, achando que eu iria bater nele. Foi foda!
– É que a gente achou interessante de poder vir no terraço, de repente teria alguma coisa diferente, disse o ladrão de tijolo.
– Vocês foram convidados para uma festa, não pra uma churrasco pra bater lage, meu amigo! Que isso! Qual é a de vocês?
– Então, a gente faz crossfit! Esse é um circuito de crossfit.
– De que?
– Crossfit!
– É a versão do Kama Sutra de pedreiro?
– Não, é uma modalidade esportiva, disse uma das moças.
Eu olhei o Junior.
– Tá de sacanagem, né Junior!? Isso aqui é armação. Isso não tá acontecendo mesmo, tá!?
Ele não disse nada. Ninguém disse nada. Só ouvia o barulho da brasa queimando na churrasqueira.
– Não cara! Por que se você for armar comigo seria muito melhor o teste do fidelidade do João Cléber.
Eu fiquei olhando por alguns segundos pra cada um deles. Fui saindo devagar do terraço, peguei minha garrafa de Whisky e quis ir para o meu quarto.
– Meu Deus! Que isso, meu Deus. Preciso de mais umas, mais umas. Eu preciso.
O Junior dizia que eu repetia, numa desolação amarga, enquanto ia embora. A festa tinha acabado mesmo. Eu descia as escadas. A Marina veio atrás de mim.
– Dilvo, você tá bem?
Eu não disse nada.
– Dilvo, eu não gostei da história da pegadinha do João Cléber.
Eu não disse nada.
– Você vai ser fiel, né amor!? Eu sei que você é fiel.
– Eu quero a porra desse terraço limpo!
MUITO BOM
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Obrigado Ivete!
Já teve de lidar muitas vezes com penetras?
Apareça mais vezes por aqui!
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