por Dilvo Rodrigues
Uma gota de água veio rolando a parede, passando calmamente por cada rugosidade dela. Quando de repente, perto da quina com o chão, ela para. Vendo aquilo, uma formiguinha tenta juntar a gota nas costas e levar para o formigueiro. Ela puxa a partícula da parede, mas a dita cuja não sai. Fica ali, agarrada feito um imã. O bichinho então teve a ideia de chamar uma companheira, que chegou rapidamente ao local para salvar aquele líquido precioso. E elas continuaram tentando jogar a gota d’água uma nas costas da outra. Não funcionava. Era muito pesada. Então, decidiram dividir o orvalho de água em dois e cada uma levar uma parte. Também não houve sucesso. As formiguinhas já iam desistindo quando, de repente, um beija-flor chega. Imponente, azul, pairando no ar e se movendo rapidamente. O beija-flor então pegou a gota d’água com o bico e voou em direção ao formigueiro, jogando a gota lá. As formigas não acreditavam no que acontecia. E ele voltava à parede onde as gotas rolavam e pegou outra, levando-a até o formigueiro. Fez isso inúmeras vezes. As formiguinhas ficaram felizes, já que com o estoque de açúcar abarrotado e, agora os reservatórios de água abastecidos, teriam um inverno tranquilo.
Todas as gotas foram recolhidas pelo danado do passarinho. As formigas resolveram então voltar para sua casa, caminhavam felizes e cantarolando as cosias pequenas e boas da vida. Quando, ao chegar nas imediações do formigueiro, encontram o beija-flor aos prantos. Ficaram triste e sem entender o que acontecia.
– Não fique triste, Sr. Beija-flor. O senhor deveria ter orgulho de si mesmo. Nós estamos muito felizes com sua ajuda e queremos agradecer.
Uma das formigas notou que o formigueiro estava alagado e disse:
– Veja, ele queria ajudar, mas acabou inundando nossa casa. Coitado! Não fique triste Sr. Beija-Flor, para tudo da-se um jeito.
O beija-flor chorava aos montes, soluçava e não conseguia nada falar.
– Que alma generosa, que Deus possa sentir orgulho dessa Sua criação.
O beija-flor recuperava o fôlego, tentava dizer algumas palavras.
-Ai, Meu Deus! Não, Não! Eu pensei que jogando as gotas aí dentro…
– Iria nos abastecer de água, completou uma das formigas.
– Não, Não! -Disse o beija-flor, seguindo – Eu pensei que jogando as gotas aí dentro. Muitas gotas! Eu teria muita, mas muita água com açúcar para beber.