O Bloco do Cabelo Doido

por Dilvo Rodrigues

No Bloco do Cabelo Doido desfilaram moçoilas e machões, gatinhas e bonitões de qualquer orientação e faixa salarial. Esteve presente o repórter de TV, porque um turma resolveu que a trilha sonora seria a dança do risca faca. Assim, a polícia resolveu criar suas próprias composições, uma delas se chamava “O porrete também canta”. O médico resolveu aparecer, muita gente acabou passando mal de alegria. Dizem que quando o doutor colocava o estetoscópio no coração do sujeito ou da “sujeita”, ouvia mesmo eram as batidas de um sorriso. No Bloco do Cabelo Doido ninguém pagou para ser rainha da bateria, nem para se fantasiar de baiana e muito menos para fazer parte da comissão de frente. Lá na hora tudo se fez assim: “Quem quer ser rainha da bateria?”. As beldades todas levantavam as mãos. Fiquei feliz! Minha agremiação é a única escola de samba do mundo que tem 10 rainhas de bateria. A Mangueira só tem uma. Enfu!
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O Triste Fim do Palhaço Leopoldo

por Dilvo Rodrigues

“O espetáculo está chegando ao fim, senhoras e senhores.” A criançada faz uma carinha de triste, mas o palhaço tinha repertório para um último número. “Eu também sei tirar coelho da cartola. Vocês querem ver?”. “Sim”, disse a plateia, aos berros. “Vocês querem ver?”. “Sim!”, repetiu de novo a plateia. Ele jogou um pirulito dentro da cartola, acrescentou confete, um apito e uma ratoeira. “Tem que agitar bem agora! Você, você me ajude aqui a agitar com toda sua força, hein!”. A garota da primeira fila até apertou os dentes ao colocar toda sua força para misturar os ingredientes na cartola. O palhaço olhou encucado: “Tá faltando alguma coisa. O que tá faltando?”. “Jujuba”, gritou o joãozinho. “Tá faltando pipoca.”, “Tá faltando arco-íris.”, berrou algum pestinha la do fundo. Ele levantou o dedo indicador e ao mesmo tempo ia dizendo: “Não, não, não, senhoras e senhores. Tá faltando sorrisos.” Ele se aproximou de várias crianças pedindo para que elas sorrissem dentro da cartola. “Sorria, sorria, sorriaaaa.”. E tampou a cartola com uma das mãos para que os sorrisos infantis não fugissem.
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Sr. Sobrenatural de Almeida

por Dilvo Rodrigues

O Escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues sempre justificava os fatos inexplicáveis que aconteciam durante uma partida de futebol como sendo obra do Sobrenatural de Almeida, fantasma responsável por gols e lances “do outro mundo”, principalmente se fossem contra o Fluminense. Mas, o Sr. Sobrenatural atuou também em jogos de outros times. Recentemente representou um papel descarado na classificação do Atlético-PR na fase de pré-grupos da Libertadores da América. A atuação do fantasma foi tão indiscreta que deveria ser revista pelo Tribunal de Conduta das Almas Penadas, Fantasmas e Assombrações.
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Mulheres; Truques e Confusões

por Dilvo Rodrigues

Na mais nova moda do momento, elas raspam um dos lados do cabelo, prendendo ou penteando o restante para o outro lado. Dizem que é um corte ousado, que confere personalidade à figura. Pode até ser! Mas quando vejo aquele pescoço realçado, me sinto um sujeito da década de 1920, ofegante por ter visto o descoberto ombro da amada pela primeira vez. Outro dia, uma moça passava com esse corte e na orelha a mostra havia um brinco artesanal com uma pena colorida. A pontinha da pena do acessório ficava ali no pescoço dela, meio que fazendo cafuné ou cócegas, ou qualquer outra coisa que a fazia andar sorrindo. Sorria um desses risos que a gente faz quando alguém revela um segredo que não deveria ter sido dito, mas que a gente fica doido e gosta de ouvir. Eu pensei: “Brinco safado!”
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Musas; Melhor tê-las em Segredo

por Dilvo Rodrigues

O Tom Jobim escreveu ou compôs (ou os dois) um punhado de músicas incríveis com nomes de mulheres. “Lígia”, “Ana Luíza”, “Bebel”, “Angela”, “Luciana”, “Gabriela”, “Dindi”, que supostamente era o apelido da cantora Sylvia Telles. Se houve mesmo uma Lígia em especial, nunca saberemos. Mas, se fizeram presentes outras “Lígias”, as Luanas, as Marias, as Ísis, as Mônicas e Bárbaras. As musas que tanto inspiraram os poetas da Bossa Nova. Tom e Vinícius, principalmente, devem ter esbarrado muito com elas nos inferninhos das vida (Casas Noturnas da época), numa mesa de bar de uma esquina qualquer ou na praia.
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