retirado de https://pixabay.com/photos/kids-playing-writing-drawing-1639351/

Primeiros Escritos, Primeiros Rabiscos

Por Dilvo Rodrigues

Não me lembro da primeira vez em que escrevi meu nome por inteiro. Mas, me lembro do nome da garota com quem tive meu primeiro beijo e me lembro das palavras que disse à ela. Sabe, eu pagaria uma fortuna para ter de volta a primeira carta que escrevi para minha mãe, no dia do aniversário dela ou no dia das mães. Tenho certeza que estaria escrito bem torto lá um “Feliz dia Das Mães, Mamãe.”. A primeira do dia dos pais também. Além da homenagem tradicional, aposto que há de se encontrar um desenho de toda família naquele bilhetinho. Se um dia for pai, terei de guardar todas essas coisas que os filhos escrevem pela primeira vez. Vai que ele ou ela, numa noite qualquer, comece a se perguntar também – “Onde estão meus primeiros escritos?”.E aí, depois, para complementar a história deles (e a minha), virá o primeiro texto sobre minhas primeiras sensações de ser pai pela primeira vez e, também, um primeiro texto sobre minhas primeiras sensações de ser pai pela segunda vez. Acho que chega!
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Tem Café Novo na Cafeteira

Por Dilvo Rodrigues

Eu nunca gostei de café. Mentira! Eu só gostava e tomava o café da minha avó. Me lembro até hoje da bebida fraca, com a consistência de uma melado que a gente adorava tomar nas canecas de ferro esmaltadas. Digo “a gente” por que eu e meu irmão mais novo nos empanturrávamos do café dela, o dia inteiro. Dona Hilda ainda tem um desses moedores de café mais antigos, de manivela. Os grãos ficavam armazenados numa vasilha de plástico do lado da banqueta em que o moedor estava instalado. Ela enchia a boca do moedor de café e girava a manivela. O barulho do café sendo triturado e o cheiro se espalhavam pela casa. A gente ia correndo para a cozinha e ficava esperando. A água ia fervendo no fogão a lenha. O pão sovado dava as caras na mesa, na companhia de um queijo e uns biscoitos de maisena. Cada um pegava o que queria e ia sentar lá na varanda da casa, que fica no alto de um morro esburacado que nunca soube o nome. Mas que dava vista para meio Marilac.
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