Histórias do Mundo da Lua que Queimam Feito Sol

por Dilvo Rodrigues

Estava sentado na varanda, passando tempo contando as flores que iam caindo do ipê amarelo do quintal.

– Pai, por que na lua não tem água e sol é de fogo?

Uma pergunta e tanto. Eu vivia um momento poético e bucólico ali, então pensei em responder a Bia no mesmo tom. Mas, ao mesmo tempo, fiquei encucado com a pergunta inesperada de uma criança de 5 anos. Sempre estive preparado para perguntas sobre o nascer dos bebês ou coisa que o valha. É verdade que a criança estava um pouco pensativa e quieta durante os últimos dias. Acreditava eu serem motivos terrenos, mas a cabecinha dela estava além das nuvens.

– Eu não tenho uma resposta certa, minha filha. Mas tenho uma teoria, quer ouvir?

-Sim!
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Um Mundo de Fantasias

por Dilvo Rodrigues

“O Sapo não lava o pé, não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer.” Nunca pensei que eu fosse ver uma galinha pintadinha cantando música sobre um sapo. Mas, no mundo da imaginação, leão pode latir feito cachorro e elefante mia feito gato. É possível até que o sapo entenda a língua da galinha, entenda a música e não goste nadinha dessa história de ter chulé. Ele se mandou depois que o ribeirão secou para mais tarde reaparecer como um bonito príncipe, ao lado de uma linda princesa. O munda dá voltas, não é verdade? Leia mais »

Aquele Mesmo Rio, de Outras Histórias

por Dilvo Rodrigues

Eu trabalho em frente ao rio. Não é assim, aquela coisa bucólica e romântica, não. Não é aquela cena de filme que a gente coloca uma cadeira ali às margens do Rio Doce, sentado com um computador no colo. Mas a água tá ali, passando do outro lado da rua. Ou seja, é só descer as escadas, apertar o botão “abre” do portão eletrônico, atravessar a rua e pronto. Acontece o barulho do rio passando, calma e poluidamente, fugindo para o mar. Amamos esse rio. Mas sabe como é? Nem sempre a gente sabe cuidar bem daquilo que ama.
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Deus; Um Cara Maneiro

por Dilvo Rodrigues

Parafraseando o grande Rubem Alves, nunca vi as pessoas dedicando coisas prazerosas para Deus. É coisa penosa, martírio, sacrifício e dor. Subir três mil degraus de joelhos, caminhar 200 km em um campo minado, deixar de comer chocolate, parar de jogar futebol, nunca mais fazer sexo. Nunca vi ninguém falar que vai fazer um bolo de fubá, um gol de placa ou um vinagrete para agradecer pela graça atingida. Se o Sujeito demorou sete dias para criar isso tudo (um tempão, no meu entendimento) é por que Ele deveria ter parado e pensado: “Como eu posso fazer com que isso aqui seja bacana?”. Eu não sei se você concorda, mas Deus não colocou defeito e nem proibiu nada. A gente que é cabeça dura.
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O Vampiro Uruguaio

por Dilvo Rodrigues

Foi em 1986 que Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro, apareceu pela primeira vez na telinha. Um dos personagens mais conhecidos do saudoso Chico Anysio, ele sempre se dava mal nas tentativas de conseguir sangue. E justificava os fracassos através do fato de ser brasileiro. Claro que em 1986 eu não tava na frente da TV acompanhando a primeira aparição do primo do Drácula, mas quem sabe o Luis Suárez, jogador do Uruguai, não estivesse. Na verdade, ele nem tinha nascido na primeira aparição do dentuço brasileiro. Mas, vai que ele fique assistindo vídeos de vampiro no youtube com a mesma frequência que eu assisto filmes dos Trapalhôes.

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