O Triste fim do Palhaço Leopoldo Part.II

por Dilvo Rodrigues

Eram oito da manhã de uma terça-feira, mas não fazia diferença. Era apenas mais um dia começando. Um dia que logo iria se tornar noite, uma noite que iria se tornar outro dia e assim sempre. Quatro a cada cinco pensamentos eram questionamentos de “por que fazer isso?” ou “por que fazer aquilo?”. O quinto pensamento abarcava todos os outros quatro, sempre dizia: “Isso tudo não faz a menor diferença.” E começava tudo outra vez. Era mais um dia que acordava, olhava o nariz de palhaço em cima da cômoda, que ele jurava ter removido à gaveta antes de ir dormir. O circo havia ido embora, nunca mais nem mesmo o barulho dos sacos de pipoca sendo arrastados pelo vento. Nunca mais!

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