Uma Viagem, Uma Dobra, Um Acaso

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Foto cedida por José Carlos Fernandes

por Dilvo Rodrigues

Aos 13 anos, José Carlos Fernandes saiu de Curitiba, no Paraná, e foi para o interior de São Paulo, onde conviveu com mineiros, gaúchos, goianos, paulistas e outros tantos garotos, que também deixaram suas casas para viver em um seminário. Arrumou a mala, entrou numa kombi e foi para outra cidade, talvez por um chamado de Deus, um experiência mística, ao contrário do que ocorre costumeiramente com adolescentes, que nessa faixa etária começam a sentir mesmo são as vozes da mística hormonal. Longe do seminário, teria sido um jovem “travado”, atrás do balcão ajudaria o pai comerciante e não se tornaria um comprador compulsivo de livros. Especulações sobre o que não aconteceu à parte. Foi uma viagem, uma dobra, um acaso sem o qual ele não consegue imaginar sua própria existência, sua vida.

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Borboletas

por Dilvo Rodrigues

Nessa manhã, uma borboleta apareceu de repente no quarto. Achei incrível por que a janela e a porta ficaram fechadas a noite toda. Ainda deitado, vivendo minha depressão matinal, vi o bichinho voando desastrosamente para o corpo do violão. O ventilador estava ligado, cheguei a temer que ela fosse cometer a loucura de se aventurar num voo rasante pelas hélices do aparelho. Foi o que ela fez, mas correu tudo bem. Há muito tempo eu não via uma borboleta assim, tão de perto. A última foi na nuca de uma amiga que resolveu bater asas para bem longe daqui.
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Escada Rolante e Elevador Panorâmico

por Dilvo Rodrigues

Um Barulho de algo batendo na calçada com alguma frequência. Alguém caminhava na minha frente tirando notas secas do chão.
Sinal verde, amarelo, vermelho. Parei na faixa de pedestre. Uma senhora também estava por ali.
-Eu posso ir? – ela gritou.
– A senhora precisa de ajuda para atravessar?
-Sim, preciso!
Reparei que ela era cega e precisava mesmo de ajuda. Naquele momentos me veio a imagem de um náufrago pedindo socorro em alto mar. Meu barco de pescador era o único por ali e tinha espaço para mais um.
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Clichês e as Verdades sobre a Vida

Por Dilvo Rodrigues

“O tempo cura as feridas.” Quantas vezes essa frase foi dita durante os dias de nossa existência? Quantas vezes foi ouvida? Claro, diria que você é louco(a) caso tivesse essa resposta. Às vezes, acho que esses clichês regem grande parte de nossas vidas e até nos ajudam a viver. A gente teme em não aceitar, e acredita que nunca vai esquecer aquele grande amor, que a raiva por ter levado uma fechada no cruzamento nunca vai passar. Mas é inevitável, o tempo cura mesmo.
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