por Dilvo Rodrigues
Na adolescência, tinha uma namoradinha bem bacana, que adorava minhas canelas de saracura. Adorava ainda mais quando eu usava boot, aquelas botinas de cano mais ou menos longo. Eu usava essas botinas com meias curtas e bermuda. Ela chegava toda apaixonada e dizia: “Ah, tá parecendo o Chaves.” O Chaves nunca foi um parâmetro fashion na minha vida. Eu adorava o seriado mexicano, assistia todo dia no SBT. Eu assistia o mesmo episódio dez vezes. Dez vezes eu gargalhava com a mesma intensidade do mesmo episódio. Eu nunca havia reparado nas canelas do Chaves até então. Descobri que eu e bolaños poderíamos ser gêmeos de canela. Eu não gostava, mas hoje até acho legal me sentir um pouco Chaves na vida. E, ele pode até esconder atras da calça jeans. Mas, Seu Madruga também tem perna de Tuiuiú.
“Hélvio Piteira” era um zagueiro casca dura, apesar de ser magro e das canelas de palito. No Fluminense formou o conhecido “Trio de Ossos”, junto com Mirim e Ponce de Leon. Os caras mais pareciam primos da Olivia Palito. Quando ele foi para o Santos, diziam que o Baltazar, do Corinthians, nem encostava na bola durante os clássicos entre os dois times paulistas. Pernas de sabiá, mas eficiente “Back”, o Piteira. Aliás, eu e o Hélvio temos mais coisas em comum do que apenas um par de pernas atraentes e a elegância de Flamingos e Garças. Mas esse papo todo mundo já conhece. Hélvio Pessanha Moreira morreu no mesmo ano em que nasci, 1984.

O Vitor Belfort também tem canela fina. Não sou eu quem está falando. Antes de uma luta, o americano Michael Bisping fez uma provocação com as canelas do brasileiro. Vítor então respondeu a provocação dizendo: “Cavalo de corrida e galo bom de briga têm que ter canela fina.” Genial! Por ironia do destino, foi um canelada na “oreia” que derrubou Bisping no segundo round.
Nós, sujeitos de canelas finas, sempre precisamos nos reafirmar contra os “canelas gordas”. Não há nada melhor que um rap para reclamar nossa participação e importância no mundo. Projota assim escreveu: “Minhas canela fina me levaram até onde eu nem imaginava ir. A realidade desse mundo é um capeta no meu ombro. Me dizendo que eu nunca vou conseguir. Calço meu boot vagabundo e saio pra ganhar o mundo como se o amanhã num fosse existir. Porque só eu sei o quanto foi foda.”Prevejo nossa participação política, prevejo nossa frases de efeito: “Somos canela fina e você não nos representa.”, “A culpa nunca é da canela fina.” Gisele Bundchen desfilando em prol da associação de proteção aos animais de canelas finas. Neymar lançando uma marca de cuecas especial para os desprovidos de panturrilha. Ah, quem me dera poder escrever com as canelas!
Perfeito, adorei.
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😀
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Êta moço q gosta de futebol, rs. Legal Dilvo !!
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