por Dilvo Rodrigues
Parafraseando o grande Rubem Alves, nunca vi as pessoas dedicando coisas prazerosas para Deus. É coisa penosa, martírio, sacrifício e dor. Subir três mil degraus de joelhos, caminhar 200 km em um campo minado, deixar de comer chocolate, parar de jogar futebol, nunca mais fazer sexo. Nunca vi ninguém falar que vai fazer um bolo de fubá, um gol de placa ou um vinagrete para agradecer pela graça atingida. Se o Sujeito demorou sete dias para criar isso tudo (um tempão, no meu entendimento) é por que Ele deveria ter parado e pensado: “Como eu posso fazer com que isso aqui seja bacana?”. Eu não sei se você concorda, mas Deus não colocou defeito e nem proibiu nada. A gente que é cabeça dura.
Outro dia ouvi uma senhora, de uns 47 anos e dois meses, conversando no ônibus com uma amiga. “Eu nunca fiz isso, assim, sabe? Foi só para ter os meninos mesmo. Um dia ou outro a gente sente vontade. Mas, Deus castiga se for demais.” Ora! Fiquei de boca aberta e decepcionado e me perguntando: “Se não fosse para existir o sexo, a transa, o amor, então por que Ele colocou essa necessidade, colocou a vontade no nosso corpo e na nossa mente?”. Mas, logo parei de ficar me questionando. O ônibus parou em frente a uma igreja e eu acabei achando que aquilo era um sinal Dele pra eu parar de pensar “naquilo”.
Na missa de domingo o padre repetiu: “Deus nos criou a imagem e semelhança Dele.” A gente sempre se sente feliz demais quando realiza algo. Tem gente que se sente feliz por ter ido estudar no Iraque, tem outros que sentem felizes por terem completado o curso de datilografia e por ai vai. Poxa, se o Homem lá de Cima é semelhante a gente, então imagina o prazer que Ele deve ter sentido quando viu isso tudo, esse mundão todo terminado. Sem dúvida que Ele se sentou no pé de uma montanha bem alta, tomou um gole d’água, enxugou o suor da testa e disse para si mesmo: “Valeu a pena. Ficou uma belezura!”
Deus deve ser um cara tão maneiro! Essa coisa de julgamento, o juízo final. Sei não, não deve existir. Deve ser tudo pegadinha do malandro. Sabe como é, né!? A gente é igual criança com medo da vara de goiaba da avó ou da fivela do pai! O que deve acontecer mesmo é que vamos chegar lá, Ele vai convidar para entrar e dizer: “O que você achou?”. A maioria vai dizer de primeira que gostaria de voltar para os infortúnios terrestres. Mas, Ele, naquela paciência de sete dias vai dizer: “Olha, se eu fosse você não iria. Ficar aqui do meu lado é muito mais divertido.”
Adorei!
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Excelente!!!
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Bom ver você por aqui, Thoddy!
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